terça-feira, 18 de novembro de 2014

POESIA VIVA

Se pensar bem
Cada um se parece com um poema
Todo dia é seu verso
Em uma página sem anverso
Um rascunho pra depois passar a limpo.

Que tal pensar assim também?
Os capítulos têm seu fim
Com todas as rasuras e borrões
Não se pode nada reparar
Cada erro tem seu preço ou valor.

Passo após passo uma história
A ser contada numa nova folha
Que será apenas lida
Quando já amarelada
Pelo mesmo tempo as imprime.

Pensado é todos os dias
Que o autor não fizera toda a obra
Por não haver rima ou prosa
Que agrade aquele que se observa
Como se pudesse compor melhor.

Sabe... É bom olhar em frente ao espelho
E ver a obra do criador
O poeta mais que perfeito
A cada um novo feito
Sem repetir se quer um verso.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil

18 de novembro de 2014.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O SONHO E A DOR

Muito, muito se sonha acordado
Desejos do tudo realizado
Uma doce agonia ansiosa
A longa espera e chegada a hora
De arriscar mais uma vez
Tudo aquilo de novo a vez prima.

De uma força sem explicação
Nasce o plano de execução
Daquilo tudo planejado
À espera de uma realização
Nos faz tremer as bases.

Mais e se o possível inesperado
Sabido ser provável
Mesmo assim ocorre
E corre lado a lado
Tirando toda a conquista,
Pesadelos assim são.

E aquilo tudo o quanto fora querido
Depois de jogado ao chão, desmoronado
Deixa uma sensação de rolar escada a baixo,
Sair ileso por fora mais por dentro estilhaçado
De tão forte tornando a dor da alma
Uma ferida no peito, ardendo.

Uma incrível satisfação é feita em frustração
A metáfora dos ruídos de uma queda livre
As rédeas agora totalmente presas,
Onomatopeia do coração.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil

06 de outubro de 2014.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

TRANSGÊNICOS SOCIAIS

O ser humano possui uma história longa e cheia de muitos detalhes, fatos e registros. A evolução do homem como indivíduo e ser social é muito evidente, basta olhar para a sua história, todas as provas estão lá irrefutavelmente. O homem civilizado em sua forma mais primitiva era bem simples. Como saudoso de se lembrar e nostálgico por ter se perdido no tempo. Já a modernidade causou uma metamorfose completa no que é chamado de civilização, trazendo uma realidade atual e desfigurada aos nossos antecedentes, abrindo uma lacuna quase infindável entre o hoje e o ontem.
São variados os relatos diversos, da época em que não era preciso uma única linha ou papel para sacramentar um acordo. A palavra valia mais que ouro. Quantas famílias eram guiadas pelas ordens do patriarca, figuras muito respeitadas. Não se assinavam acordos, contratos ou recibos, o que era dito se cumpria com todo o rigor, se tornava lei. Assim se construía a honra dos “imperadores” verbais, sem meio termo, cada letra e vírgula se mantinha em seu lugar. Não havia o famoso “telefone sem fio”.
            Os tempos modernos em fim vieram e trouxeram consigo uma total alteração de cenário, uma cirurgia plástica no mundo real. A confiança alheia está desgastada, na verdade nem existe mais, para tudo tem testemunha e papel. Não se pode mais dormir tranquilo, hoje toda fala a brisa leva, nem é preciso esforço para se perder no tempo qualquer promessa. Os pais dos nossos pais nos contaram coisas que nem reconheceríamos se fosse feito hoje. Não se confia mais se quer nos irmãos.
            Tudo se tornou o avesso, ficou de tudo de pernas para o ar, quase impossível não se tirar esta conclusão. Talvez por isso que tanto dizer que é “é fim de mundo”, uma explicação razoável para essa bagunça. O homem escolheu uma forma rápida e mais cômoda para seu crescimento, deixou de ser algo natural, tudo está cada vez mais artificial, sintético. Já estamos sendo manipulados até em laboratório! Já se pode conceber numa placa de vidro ao invés da cama.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil

30 de setembro de 2014. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

DO NOSSO SANGUE OU NÃO

Bem, para quem escreve, é sabido que não se pode redigir de uma forma pessoal. Mais e daí? Eu estou com vontade de conversar hoje. De contar um pensamento, mais um ponto de vista na verdade. Eu venho falar de pessoas que são algo em comum a todos nós, mesmo que por consideração.
Brigas, debates e embates, para depois acabar tudo como se nem houvesse tido. As risadas, piadas engraçadas ou nem tanto, as chacotas e o apoio incondicional. Uma relação bem definida com toda aquela ambiguidade apenas na aparência, afinal a mesma mão que um dia aponta o dedo torna-se um escudo em nossa defesa. Mexeu comigo mexeu com uma pessoa bacana. Então pode me chamar pra briga, eu sei a quem pedir ajuda.
As lembranças das inúmeras noites indo dormir tarde por perder tempo conversando besteiras, na verdade, sendo postos para dormir. Hilariante até. Nossas primeiras amizades e exemplos iguais a nós mesmos. São também o primeiro "divã" que conhecemos, falar de uma raiva que sentimos, confabular contra aquelas pessoas chatas que não gostamos. E o assunto mais gostoso? A primeira namorada ou namorado, ninguém melhor pra dividir.
Mexer nas panelas sem a mãe ver sempre foi bom, pegar aquele doce que parece nos chamar pelo nome. Fácil demais, tem alguém montando guarda. E quando nos serve de banco pessoal? Dinheiro emprestado sem data de pagamento, que coisa boa, "sem preço". É chato às vezes brigar pela última fatia do bolo, pelo sabor do refrigerante ou a marca do biscoito no supermercado, o canal e o programa favorito na televisão, pegar nas coisas sem pedir.
Quase todos já nascem tendo um ou mais, outros com o tempo e quando não há como, surgem os agregados, os quais nós consideramos de igual forma. A "metáfora" ao nosso sangue. Não é, mais é como se fosse. Há momentos que nem se quer lembramos do pequeno detalhe que difere tudo. Ter irmãos é mesmo uma aventura louca, um amor insano e gostoso. Nada se compara a essa experiência primordial, única e sem precedentes, dada pelo nosso criador, ou natureza, ou acaso. Não importa é simplesmente perfeito.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
25 de setembro de 2014.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A PROLE

Quantas vezes desejamos
À infância retornar
Pensamentos doces que lembramos
D’aqueles dias retomar
Fazer tudo de novo
Ainda assim é apenas um desejo,
Que alívio que seja assim.

Voltar no tempo é perder
Tudo o quanto fora conquistado
Se possível fosse reverter
O mundo aqui seria derrubado
E de seus escombros uma nova construção
Como é bom não ser assim.

Tanto, tanto que aprendemos
Cada dia um recomeço
No aguardo do grande dia
Em que saíra do nosso seio
Um rebento, o rebento
De nós um pedaço, mesmo assim um mundo inteiro
Pra ensinar lições que nos foram dadas.

E apois, então que se pergunta
Valeu ou não à pena continuar?
É lindo cuidar do nosso sangue
Daqueles cuja dor é maior na gente.

Uma parede de seu mundo trinca,
Damo-lhes o nosso inteiro em seu socorro...
Filhos.


Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil

15 de setembro de 2014.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A MELHOR REDE

            Hummmmm!... Olha que legal! Minha foto recebeu vários “likes”. Minha foto não, meu selfie. E nem ficou tão bom assim. Deveria ser esta nossa alegria do dia a dia!? Acho que é, não é? Uma rede social é mesmo de outro “mundo”, coisa bacana, todos sabem como eu estou e o que eu almocei.
          Hoje vou “partilhar” uma coisa interessante. Recente mente eu vi, creio que vocês viram também, alguém dizendo sobre a verdadeira solidariedade ser dar aquilo que falta ao invés do que o que sobra. Se todos nós concordamos? Não sei. Deveríamos? Talvez.
           A globalização aproximou os olhares às novidades e curiosidades, mais parece tê-los afastado das janelas, pracinhas, dos estranhos da rua... Enfim o outro lado da gangorra subiu e nos tirou os pés do chão. Não é ruim, poderia ser melhor se a “brincadeira” fosse outra.
      Estamos dividindo com os outros nas telas de computadores e afins, o que poderíamos dar pessoalmente, o que fazíamos muito bem com as mãos. Quanto tempo faz que oferecemos um prato de comida a um faminto? Qual foi a última vez que ofertamos uns trocados a um pedinte? Por que não gastamos um pouco mais nossos calçados nas ruas? Já nos emocionamos com o que fora visto nos semáforos e esquinas e hoje apenas nos monitores.
         A bondade virou uma palavra no dicionário e num status, quando a melhor rede social deveria ser no mano a mano, face a face. Achamos que sair com os amigos numa sexta a noite resolve tudo.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,

18 de julho de 2014.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

O VALOR DE UM ERRO

Errei, não porque eu hei errado
Não que eu seja errado
Errei sim por desacerto
Mas, por não haver escolha
Aliás, tive sim
Preferi assim
Ficar em tal subversão
Fui usado por mim mesmo.

Errar não é humano
É universal e monstruoso
Fui apontado por tudo e todos
Afinal, quem mais eu poderia ser?
Se não eu mesmo.

Hoje que o certo não parece mais sê-lo
O banal é tido como zelo
Duma moral falha de fios soltos
Desamarrados do que já foi bom.

Parece loucura mais já fomos o hoje errado
Ainda assim tudo era certo, em seu lugar devido
Ao invés de tudo isso dividido
Éramos espelho, hoje exemplo.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
19 de junho de 2014.

domingo, 1 de junho de 2014

O QUE ESCOLHEMOS

Muitas são as escolhas que se fazem na vida
Certas, erradas ou talvez incertas
Passo a passo uma boa caminhada
Olhos abertos, mas, visão coberta
Tudo pela certeza da dúvida persistente.

No ato final olhar à bilheteria
Tomar nota do que sobrou do espetáculo
Contar toda a quantia
Que sobrara aos obstáculos
E decidir o quanto valera.

Em fim descobrir independente de tudo
Que cada marca obtida
Mesmo uma perda o triunfo
É uma lição aprendida.

Apesar de todo o ocorrido
Saber que somos o exemplo
Para nós mesmos seguir.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
01 de junho de 2014.

sábado, 31 de maio de 2014

É SEU, NÃO É?

Acho que se não for assim
De alguma forma haverá de ser
Um jeito qualquer em fim
Tudo vai acontecer
Ou será que nada?

A ansiedade que amedronta
E confunde o nítido pensar
O desejo ao medo se confronta
Dizendo que não vai parar
E por que pararia?

Agarrar-se com um forte abraço
As unhas podem machucar
Manter sempre o mesmo laço
Não impedir o sonho de voar
Afinal é seu, não é?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
16 de fevereiro de 2014.

O TEU INFANTE

Olhai, pois, contigo eu sigo
Infante de batalhas serenas
E árduas até
Sentes tu, me faz abrigo
Diante das tuas pelejas
Te recebo de pé.

Podes vir, estou contigo
E tragas tudo o que contemplas
Assim posso entender os teus olhos
Verás como te sou solícito
Deixando muito mais amena
A caminhada pedregosa
Manhã após manhã
O dia inteiro,
Mais a noite eu descanso.

Venha! Deite aqui
Faz frio no mundo
A tua lareira serei eu mesmo.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
15 de janeiro de 2014.

EITA GENTE HIPÓCRITA!

Por quantos momentos na vida
Julgamos e temos o medo de sê-lo
Culpamos sem defesa
Ou o mínimo direito ao apelo
Caçamos a presa
Sem pensar no que virá em troca.

Parecemos nos importar
Indiferentes à moral
Somos hostis e hipócritas
Causamos um ferimento mortal
Usamos do ataque como uma defesa,
Mais de que afinal?

Cuidamos de vidas inteiras
Alheias ao nosso querer
Agimos como feitores de escravos
Deixamos de ser donos de nós mesmos
Que mau costume esse o nosso!

Temos que beijar mais na boca
Dormir mais tarde diante de um livro
Esquecer ideias vãs e tolas
Pensar melhor num novo cultivo
Semear, “adubar”, regar e colher
Aquilo que dizemos querer
Ao invés de o que falamos odiar.

E que tal cuidar de um filho
No lugar da vida avizinhada?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
15 de janeiro de 2014.

UNS FATOS DA VIDA

Os verbos viver e amar
São conjugados pelo dito sofrer
Tolice é o ato de ganhar
Dado que vencer também é perder
Se quer fala nada o gritar
A eloquência está no emudecer
Abraçar com os braços abertos
O vazio do tudo, o vento
E sentir-se cheio a contento.

É mentira!

O que e os que aqui se encontram
É que nos dão consolo ou realização
Ao menos um aperto de mão
Ou estendem seus guardas-chuva,
Abrem as portas e coisas assim
.
De que adianta pregar à alma o desapego
Se apenas nesse mundo,
Podemos aproveitar o que se vê aqui.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
14 de janeiro de 2014.

A VIDA ALHEIA

É muito fácil apontar as falhas e erros dos outros, muito cômodo até, parecendo ser providencial alguém ser o novo alvo das críticas da sociedade. Incrível como quando um estranho procura alguém e os vizinhos prontamente lhe mostram a casa, mas os procuram, antes de se identificarem logo perguntam o por quê.
Quantos fatos são viralizados na internet, expondo meninas que confiaram a seus namorados, fazerem vídeos íntimos, pagando até com suas próprias vidas. Ainda se vêem muitas chacotas relativas às pessoas que, por uma questão cultural, não acompanharam a evolução do mundo informatizado e globalizado.
As pessoas tem deixado de fazer coisas uteis com suas ideias, perdendo jovens políticos e idealistas para os bailes funks e pagodões da vida, sem dizer para os pedaços de pano que mostram os úteros e “cofrinhos”. Elas tem deixado as drogas criarem o tão falado apocalipse zumbi, se tornando dependentes de um lixo que sabem, ser ruim, sem nenhum benefício.
O mundo está cada vez mais subvertido a um censo desregrado e sem respeito ou amor próprio, onde apontar o erro alheio é valorizado, assim ninguém presta atenção nos demais, que ficam confortáveis com seus erros camuflados.
É tão bom rechaçar quem esteja aquém, não é? É de uma simplicidade apontar, comentar, falar da vida alheia. E se fosse com você?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
10 de janeiro de 2014.

DORMIR CONTIGO

Quantas vezes ansioso eu estive
À espera do anoitecer
Do teu lado me deitar
Aguardar o amanhecer
Ver teus olhos se abrirem
E eu apenas te sorrir.

Que de todos os ensejos
O maior foi te encontrar
Incontáveis meus desejos
Do mais forte abraço ao beijo
Fazer-te realmente mulher.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia. Brasil,
28 de novembro de 2013.

O HOMEM CONSEGUE ENXERGAR A MULHER

Existem dias em que se deseja apenas a hora da chegada ao lar, tomar um banho e cair na cama. Nossa! É muito chato chegar em casa e “descobrir” que há coisas a fazer. A dona de casa cuida da casa, a mãe, de seus filhos, a esposa, do marido… Ah! E para não esquecer, ainda tem que dar duro nos trabalhos da faculdade e lembrar que amanhã tem colegas e chefe chatos, de um emprego qualquer que exige dos funcionários como se fosse uma multinacional.
E quando os filhos precisam de uma conversa? Quase nenhum pai sabe como. Pobres das incansáveis mães que tem de resolverem os problemas da “aborrecência” dos filhos. Ainda não parecendo o bastante, o marido largado no sofá como se estivesse morrendo por uma mera dor de cabeça.
Nós, homens, podemos sim ver, do nosso ponto de vista, a odisseia feminina de todo santo dia – do dia de cão também – se orgulhando pelos filhos bem criados, do marido espaçoso e tudo mais. Sabe o famoso dia oito de março? É nada comparado ao ano inteiro, que foi feito para as mulheres.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
03 de outubro de 2013.

INVISÍVEIS E MENDICANTES

Tamanhas foram as vezes que me perdi
Num tornado de pensamentos tão sem sentido
Coisas estranhas e sem forma vi e vivi
De um mundo aleatório e combalido
De forças, desejos e esperanças
Que agora são apenas lembranças
Do que se imaginou realizar.

Os rebentos, almas perdidas jogadas ao desprezo
Sofrendo pelo frio e fome a céu aberto
Vítimas de descasos e do desapego
Largadas à própria sorte de um futuro incerto
Na sarjeta criada pela podridão de uma nação corrompida
Forçando-os assim a uma prática eremita
Tornando-os invisíveis na multidão.

Parece ser mais fácil olhar e viras as costas
Simplesmente esquecer o que os olhos percebem
Caminhando em direções opostas
Mostrando como as pessoas se divergem
Para a criação de casos e descasos
Àqueles de pés descalços
Famintos mais que de alimento.
Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
01 de outubro de 2013.

UM SORRISO INSPIRADOR

Na varanda de uma casa
Numa visita de amigos
Uma conversa sem enredo
E o sol brindando aquele riso.

Faz tempo que o tempo
Permitiu aquele momento
Onde os olhos visitantes se voltaram
A tudo o que é visto em pensamento.

A inspiração mais doce
O motivo para um sorriso espontâneo
No meio de uma conversa qualquer
Nem preciso de uma visão melhor
Aquela forma de sorrir
Faz-me faz enxergar ao longe.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
17 de setembro de 2013.

O PODER DA COMUNICAÇÃO

Dizemos tantas coisas diariamente a ponto de esquecermos quase tudo o que foi dito, porém, o importante nem sempre é o quanto se diz mais o que se diz. As conversas nos mais variados graus e temas nem sempre são sinceras por ocultarem fatos, muita vezes importantes, ainda assim há aqueles que conseguem promover verdadeiros diálogos. Uma das características marcantes em nós seres humanos é a nossa comunicação, que apesar de variadas línguas é possível que haja.
Um dos maiores enganos que pode existir é pensar que falar sem ouvir já é o bastante, na verdade é arrogante. Apenas falar e falar, é um gesto ignorante e unilateralista, capaz de manter um grupo aparente e insólito. O insucesso de um agrupamento é percebido a partir da não solidez e dispersão imperativa, por conta de palavras hora mentirosas e hora sem retorno, que não promovem uma liga entre as pessoas.
No intuito de manter unidade é necessário saber conversar, ouvir quando preciso e às vezes nem dizer palavra alguma. Há uma diferença muito grande e facilmente perceptível entre aqueles que sabem e os que pensam saber se comunicar. Quando um se cala para o outro poder se expressar é o retorno devido e correto, capaz de fazer grandes feitos. Falar e ouvir não são habilidades congênitas do homem, mais, com vontade a gente aprende.
Quantas línguas devem existir ou apenas conhecemos? São cerca de 6.900 idiomas diferentes na terra, de acordo o compêndio Ethnologue e ainda extima ter mais umas 400. Mesmo com toda essa diversidade, como conseguimos relações diplomáticas? Comunicação é a resposta. De fato não nascemos sabendo nada disso e aprender não custa nada.
Mais como se comunicar sem saber o que é?. “Comunicação é a forma como as pessoas se relacionam entre si, dividindo e trocando experiências, idéias, sentimentos, informações, modificando mutuamente a sociedade onde estão inseridas. Sem a comunicação, cada um de nós seria um mundo isolado”, (VASCONCELOS, 2009).
Os elementos que conhecemos para uma boa comunicação são o emissor e o receptor. “A comunicação mais poderosa é aquela que vai ao encontro das expectativas do receptor”, (SOUSA, 2006, p. 30). Esse mesmo autor mostra isso como um elemento que influencia a comunicação, que envolve os que se comunicam.
Finalmente depois de tanta discussão e comunicação, de o orador e o ouvinte estabeleceram uma comunicação verbal e até não verbal, uma concentração de pessoas que se entendem pode promover lideranças e relacionamentos que podem mudar o mundo. O poder da comunicação está em fazer tudo isso, em identificar quando há mentiras e pessoas soberbas assim como saber quando falar e calar, saber quem e quantos falam de um jeito deferente e como nos envolvermos e termos retorno do que emitimos. Mesmo com tudo isso ainda não sabemos falar e ouvir, será que vamos aprender um dia?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
16 de setembro de 2013.

SOMOS MAIS CARENTES QUANTO IMAGINAMOS

Hoje em dia o convívio social tem demonstrado a distorção da visão humana e quanto estamos subvertidos a uma cultura retrógrada, para não dizer desnecessária e não me tornar de certa forma aqui redundante. Tantos de nós julgamo-nos perfeitos e plenos em nossas habilidades, naturalmente por não nos darmos conta de nossa incapacidade visual-intelectual.  Ao iniciar um tema que eu considero tanto importante quanto delicado, pergunto assim: Por que precisamos do politicamente correto quando precisamos tão só do lado humano?
Com tantos termos a serem usados para portadores de todos os tipos de condições ou necessidades, ou quantas vezes nós chamamos outras pessoas de deficientes e, mesmo que tentemos ser corretos nas palavras ainda assim não seremos totalmente elegantes, sempre haverá quem nos contradiga, ou seja, nós mesmos.
Até quando pensamos estar sendo justos há o preconceito. Então por que adiantar opiniões daquilo que não conhecemos? A melhor forma de elucidar a dúvida é estudando aquilo que não se conhece e depois falar daquilo que então já sabemos ter noção. É assim que pode ser construída, talvez, a versão mais certa sobre as pessoas e coisas, algo que podemos chamar de pós-conceito.
Quantas vezes ouvimos falar em portadores disso ou daquilo e alguns de nós falamos até como se fosse uma doença ou limitação, ou até mesmo uma limitação gravíssima. E em vários outros momentos vemos por meios de comunicação ou participamos da vitória de pessoas que julgamos serem especiais, dessa forma deixamos de lado a possibilidade de acreditar são apenas pessoas normais e tão únicas quanto qualquer um.
Basta olhar as pessoas em nossa volta para tomar por conclusão que aqueles que se julgam plenos em suas capacidades apenas estão enganados. Sempre se viu que as pessoas que dizemos ter certas necessidades não precisaram se adaptar a nada ou ninguém, ao contrário, o mundo “normal” quem teve de se ajustar, se preparar para as vidas novas, nós que nos vimos perfeitos quem tivemos de nos moldar. Já que desta forma são as coisas e várias vezes usamos o termo incorreto, quem sempre foi o deficiente nessa história?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
17 de agosto de 2013.

PROJETOS

E o céu que eu criei para observar
Hoje estrelado se encontra
De todos os lados e pontos de vista
Um único brilho, um só astro
Só você é necessário.

Imaginei um mundo
Repleto de sonhos meus
De planos eternos.

De tantas diretas e indiretas
Escrevi um belo livro
Num lugar onde suas páginas não amarelam no tempo,
Em meu coração, protegido no peito
Guardado até que seja entregue ao seu leitor de direito.

Nisso tudo em todas as conversas
Descrito um arranha-céu infinito
Obra de uma engenharia que nem o tempo poderá erodir.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
16 de agosto de 2013.

CRER É PODER

Hora sim, hora não, outrora quem sabe
Executar tarefas, construir monumentos
Fazer o impossível e operar milagres
Formar opiniões e pensamentos.

Quem sabe até mesmo coisas conhecidas
Plantar uma árvore, escrever um livro e fazer uma criança,
Ordens aquelas que nos foram dadas
E tem gente birrenta que nem tenta nada.

Diante de tantos protestos
Ante a tanta luta e pedidos de mudança
Forças jovens movendo manifestos
E arruaceiros promovendo a dança
Dança das cadeiras, uma bagunça
Onde apenas os patriotas “dançam”.

Como podereis fazer se não fores capaz?
E de qual forma sereis capaz sem que acredites?
Os gritos não podem calar
De forma alguma deve parar
Há muito que transformar.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
04 de julho de 2013.

O DIREITO AO SABER

Eu não pediria nada a Deus
Nada que eu não pudesse alcançar
Ou que eu devesse querer
Apenas o que tenho direito
Não um mero desejo,
Tão só você.

A paz que eu procuro
Luz perfeita às minhas noites
Inspiração do meu saber
Ouvir e ver palavras aos açoites
Da cada frase duma prosa ou verso.

Poder ver de outra forma
Cada detalhe daquele horizonte
Que diante de mim se apresenta
A cada dia me contenta
Entender tudo outra vez e mais uma vez.

Hoje tanto quanto antes,
Tenho a mesma certeza
Que nada eu sou sem a sabedoria
Que nada sei se não conhecer
Que deveras a vera é ser sabido
O direito de aprender.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
23 de junho de 2013.

O DESPERDÍCIO

É… Hoje pedimos chuva
Pedimos matas e rios
Depois de termos dado ao gado
Choramos o sertão e o cerrado
Mais como as lágrimas e o tempo
O que desperdiçamos não tem volta.

E um costume feio
De chorar o leite derramado,
Dar valor depois de ter perdido
Repete-se como uma coreografia.

Vê-se de tudo, menos a decência
De cumprir o que se fala
Fala-se tanto que nem há espaço para ouvir mais
A verdadeira voz se cala
E nossa “casa” sofre desarrumada.

E agora? Vamos perder mais o quê?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
03 de maio de 2013.

EM UM PEDAÇO DO SERTÃO

E de repente se abre um sorriso no céu
Uma nova alvorada em pleno dia corrente
O sol aparece por trás das nuvens turvas
Vem tempestuoso, parece estranho, eu sei.

É inverno lá fora, ou outono então?
Ainda não, ainda não, mais logo chega
Viva o dia santo, do santo
É festa e oração, é fogueira de São João.

Vamos todos em oração pedir à chuva, que venha
Vamos em procissão, fazer o caminho a pé
Pedir pra que molhe a terra
Lá na Capela São José.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
01 de maio de 2013.

Um poema feito em homenagem a Nova Soure, a terra amada de minha querida Gislene Nathany

SERDES O MEU SORRISO

Serdes, pois, não o sorriso mais belo
Mais o sorriso que eu quero para mim
Eis que venho aqui pedir-lhe
Olha-te em teu espelho e verdes
O que significa o mundo para mim.

Não me peças para eu fechar os meus olhos
Nem se quer para eu dormir
Preciso admirar tua face
E esperar tu sorrirdes para mim
Mesmo eu cansado, cambaleante
Preciso do meu vício, o teu semblante.

Sejas aquilo o que eu mais desejo
Sejas apenas tu
Chore, sorria, grite
Que eu vou ouvir atento
Far-lhe-ei nesse momento
Um ser pleno e feliz
Afinal se choras, contigo choro também.

Ao fim de um longo e duro dia
Abraçados depois do jantar
À varanda da nossa humilde choupana
Ver-eu-ei um sorriso em teu rosto
O “meu sorriso”.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
10 de abril de 2013.

O CIRCO SOCIAL

A cegueira vinda do ego
A onipotência de estar impune,
É tudo uma grande mentira
Um circo, um câncer
E um só nome, corrupção.

Não se ouvem os sinos de boas novas
Nem o cantar dos anjos
Apenas uma marcha fúnebre
De uma falsa democracia
Sustentada por um desejo capitalista.

E os bons exemplos por onde andam?
Amedrontados e exilados?
Esquecidos e humilhados?
Largados ao desdém
Mesmo assim ainda lutam.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
12 de fevereiro de 2013.

MEU SURREALISMO

Eis que de repente uma forte brisa sopra
Anunciando em minha caminhada mundo a fora
Que as coisas vão mudar
Fazendo-me lembrar de sonhos e planos
Daquilo que tenta me cativar
Ainda sim penso nos erros e enganos
Que costuraram as minhas pegadas na areia
Permitindo o vento levar.

Às vezes, por isso, sinto-me cansado
Ombros tensos e olhos pesados
Pedindo o descanso aos meus pensamentos
Os quais penso ainda não merecer
Visto a luta que ainda persiste à frente.

Quase que num segundo iludo a mim mesmo
Depois de tantas batalhas passadas
Chagas abertas de feridas curadas
Latentes em sua dor irreal
Uma ambiguidade tende a perseguir-me.

E mesmo perdido em tantos deslumbramentos
A liberdade que vem destas palavras me serve de apoio
Recurso bem vindo dos céus
Para mostrar o surrealismo
Que eu mesmo criei como desculpa para a minha fuga.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
26 de janeiro de 2013.

FÉ BRASILEIRA

Há um grito que nos toma em silêncio
Vindo do mais profundo, do peito
De onde descansa a alma,
Um rugido de selvagem a pedido do coração
Clamando ajuda, denunciando uma dor.

Não fugir à luta
Não desanimar perante às muralhas
Simplesmente transpassa-las
Com força, raça e perseverança
Afinal somos heróis.

Uma crença que não se abala
Permanece viva, firme e altiva
Mirando alto os céus
Cativante eu seu carrossel,
O desejo da vitória, a justiça.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
25 de janeiro de 2013.

MENINA FLOR

Quando te olho, vejo uma menina
Doce, meiga, linda e forte
Vejo a face da ternura em teus olhos
E as marcas de sentimentos nobres.

Quando tu falas, palavras mansas tomam vida
Tomam a forma de um afago
Emocionam os corações e almas
Com os teus dizeres benfazejos
Permitem-nos descansar em teu colo afável.

O dom dado a ti pelo pai
O mesmo criador do céu e tudo o que há sido formado
É de ser um anjo ou flor
Cheia de carinho e cor
Que tu expressas em apenas um sorriso.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
25 de janeiro de 2013.

Este poema é dedicado a Grazielle Aragão, uma pessoa muito especial. Obrigado por sua amizade.

VONTADE DE VOCÊ

Sonhar outra vez com aquele brilho
Que vejo apenas em teu olhar
Rir comigo mesmo por uma bobagem
Que imagino como uma miragem
Tão encantadora que confunde a realidade.

Como uma flecha lançada em mim
É o som de sua doce voz
Que me tira do chão
Faz-me voar para longe
Onde nem eu posso me alcançar
Perdendo-me no mundo dos sonhos.

Pareço até uma criança
Na vontade do teu colo deitar
Mais para descansar do meu temor
De uma pequena dor convertida em saudade.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
23 de janeiro de 2013.

O MEU SOLSTÍCIO

O mundo todo acinzentado
O sol no céu parado
Impedindo a vinda da lua
Deixando a noite nua
Nem as estrelas podem brilhar.

Para quebrar toda essa melancolia
Nem antecipada ou tardia
A razão de tudo mudar
E do meu “mundo” correr nos trilhos,
Uma locomotiva a todo vapor.

Pareço confuso eu confesso
Mais qual a razão nisso tudo?
Eu grito calado com uma força descomunal.

Mesmo assim apenas o sol não muda
Continua iluminando da mesma forma aquele rosto
Ainda assim não consegue ofuscá-lo
Pois, nesse rosto há um imenso sorriso,
O meu solstício.

Admito, é paixão
É loucura, é razão,
O calor e o frio num mesmo instante
E volto a perguntar e ser redundante,
Qual a razão disso tudo?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
09 de janeiro de 2013.

UM BRILHO, UM SORRISO E UM OLHAR

Os olhos mais lindos que o homem vira
A serenidade única de tão sublime
O brilho que estrela alguma possuíra
Uma clareza lúcida que se imprime
Diante de quem tivera observado.

Um calor que nem se quer arde ou queima
Apenas acalma e abranda
Seja esta luz que deveras teima
Em deitar-se à face e deleita
Até mesmo os anjos.

Não que sejas, mas tenhas
Acompanhando um sorriso
Em teu belo rosto que os cabelos emolduram
Tornando-te o sinônimo do paraíso
Fazendo até ouvir o som de guizos
Tilintando ao sabor do vento.

Se precisares terás minha ajuda
Para que te mantenhas desta forma
Pois como a qualquer ser vivente
Te prometo os motivos da felicidade
Para que ilumines aos outros
Com teu olhar e riso como um norte.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Braasil
06 de janeiro de 2013.

UM MUNDO DEPOIS DO FIM

Até um outro dia
Diziam que o mundo chegaria ao fim
Em fim, o fim chegou
Tudo acabou
Mas a tempos está desse jeito
O homem que luta sem saber a razão
Milhares de corpos estirados ao chão
Jogados nas sarjetas
Violentados pelo esquecimento
Amados se quer por si mesmos
Em função da morte da crença
Na força entranhada em seus espíritos
Doloridos e esfacelados
Pingos de gente, gatos pingados
Seus mundos findaram
Anjos tratados como criaturas
Com sede de justiça
Que de vez em quando se atiçam
Na esperança intrínseca
De cada ser humano.
Eis que aqui vos digo
Estendeis vossas mãos e cedeis vossos ombros
Ergueis os que tropeçaram
E vamos juntos apoiar os feridos,
Assim quem sabe outro mundo tem um começo.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
22 de dezembro de 2012.

UM APELO

Todos os dias ouve-se falar de novos conflitos, de atribulações, em fim, se fala de uma guerra. O homem escreve em sua linha do tempo as batalhas épicas que muitos dizem ser por liberdade, justiça e honra.
No entanto a humanidade esquece que a liberdade, a justiça e a honra de uns significa o cárcere e a humilhação de outros. A raça humana age semeando a miscigenação dos povos, classes raças, e raças, passando por cima da humanidade e direitos do demais, como se fossem seus inimigos.
O homem pode mudar tudo isso quando nele mesmo habitar a vontade da mudança. Não é difícil e tão pouco impossível, basta querer. É preciso deixar velhos hábitos para trás e cultivarmos novos.
A partir do momento que um tratar o outro com carinho, respeito, consideração e amizade e esse comportamento for mútuo a guerra ficará na história e a paz será alcançada.
Da mesma forma que o sol anuncia sua chegada a cada raio de luz na alvorada, a unidade humana pode ser percebida em todo gesto de respeito, consideração, amizade, carinho e amor. Vale ainda lembrar que no “fim do mundo” o que acaba é a vida, o homem.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
04 de novembro de 2012.

GUERRA E PAZ

Estou me sentindo tão fraco
Sendo tão humano
Preocupando-me em não ser um ser perfeito
Apenas um perfeito ser humano.

Sei que pareço repetitivo
Entendo o meu tédio
Que me toma com assédio
Não pede licença para me dominar.

Todos os dias
Os mesmos sentimentos
A angústia e a alegria
Os extremos, as margens da mesma estrada.

Diariamente brigo com o mundo
Logo após eu faço as pazes
Para depois lutar novamente
Viver o meu conflito interno.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
29 de outubro de 2012.

O SER ETERNO

O homem, um ser finito e também eterno
Mesmo que tudo um dia acabe
Na lembrança ficará guardado
Como se fosse uma palavra proferida
Que continua eternamente dita.

Toda árvore deixa mudas e frutos
Assim é o homem e antepassados
O que terá feito em seu no futuro,
Os vossos filhos contemplados.

Quando o corpo completar sua sina
E ao pó tiver retornado
O sangue que ficar na Terra
O tornará imortalizado
Contínuo, infindável, perpétuo.

O filho é a arca
O caminho do imortal
A permanência de quem se foi.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
10 de outubro de 2012.

PEREGRINOS INVISÍVEIS

Nossos irmãos esquecidos
Mulheres, crianças e homens banidos
Largados à mendicância
Maus tratos, direitos feridos
Peregrinos à deriva na vida.

Esquinas e marquises,
Lares das vítimas de uma sociedade em crise
O aconchego aos olhos pequenos, cansados e tristes
Daqueles que dormem aglomerados
Ombro a ombro apoiados
Fazendo do próximo um cobertor,
Tornando um sorriso o remédio da dor.

Nos olhares tristes, quase vencidos
A esperança como plano de fundo,
Um brilho fraco que teima não se apagar,
De que farão parte do mundo.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
05 de outubro de 2012.

SE O MEDO ME CALAR

O frio que faz aqui fora
Me acompanha na solidão
Que parece cortar minha pele
Como se fosse uma espada
Afiada com saudade.

Eu sinto falta do que eu desejo
Algo que apenas quero e nunca tive
Por conta da paixão e do lampejo
Que vi naqueles olhos lindos.

A loucura que agora me toma
Eu pensava que conhecia
A surpresa foi inevitável
Chegou assim despercebida.

O que será de mim agora
O que será então outrora
Se nada eu disser
Mais o a vontade de calar impera
Se o medo de falar me toma.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
01 de outubro de 2012.

MARCAS DA VIDA

Todos os dias
Escrevemos na linha do tempo
As marcas e feridas
Nas páginas em branco do livro da vida.

Os sentimentos como se fossem lápis,
Podem até ser apagados
Mas ainda assim as lembranças
Mostram que como papel, os corações ficam marcados
Marcas eternas ficam sendo heranças
De tantos caminhos e andanças
Onde não estivemos sós.

Cada passo dado e outros que estão por vir
Muitos nos marcam e outros marcarão
Chances vividas, oportunidades a surgir
Amigos eternos que pra sempre ficarão
No melhor das nossas memórias
De dias turvos e claros
De mares calmos e agitados.

Depois de tudo isso saber é preciso
Reconhecer quem é importante
Os que se importam e ligam.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
30 de setembro de 2012.

SERÁ O FIM?

O homem contemporâneo vive um momento muito individualista e de conflito de visões, opiniões, conceitos e idéias. Eu convido você, leitor, a refletir a respeito da situação atual que os indivíduos “sociais” têm vivido. O ser humano sempre foi responsável por cada uma de suas ações, as quais os reflexos tem se voltado contra os que agiram.
O planeta tem demonstrado de várias formas o mal que a raça humana tem causado a ele. Vamos imaginar então se cada um de nós bagunçasse nossas casas. Quanto trabalho seria para arrumar depois? Ou melhor, quer dizer, pior ainda, se os outros bagunçassem ao invés de nós mesmo?
A consciência individual tem levado a adquirirmos o pensamento egoísta de “cada um por si” e esquecer que o verdadeiro lar que conhecemos é a Terra e a grande mãe que nele habita é a natureza. Hoje está muito evidente q necessidade de contrairmos um pensamento coletivo de ajuda, união, força e igualdade para salvar enquanto é tempo, a casa que todos partilhamos.
É fato que tudo é finito, mais, por que tornar próximo o fim se ainda há tanto pra viver e experimentar?
A pergunta anterior não quer calar em mim nem quer que eu me cale. Há tanto o que fazer para ajudar a mudar este cenário cruel de indiferença e descaso. Basta que cada cidadão junte suas ações às dos demais, trabalhando como formiguinhas, nessa grande colméia. A grande rainha mãe natureza saberá retribuir.
Bem… Agora o desafio está lançado e você fará o que para vencermos juntos essa batalha épica?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
27 de setembro de 2012.

AQUELA ESTRELA

Mais um fim de tarde
Outro dia que se vai
Uma leve brisa no no rosto
Anunciando outra noite que cai.

Vista aqui de baixo
A primeira estrela, a vespertina
Brilha guiando meus pensamentos
Por trás de nuvens que parecem cortinas
Escondendo o resto do céu enegrecido
A fim de não me distrair.

A luz que me controla lá de cima
Me faz pensar em alguém
Me tira do resto do mundo
Eu fico perdido, fico aquém
Em minha mente eu vejo um rosto
O qual nem se um nome tem
Apenas sei que é um alvo
Minha meta e destino.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
24 de setembro de 2012.

EM MEU JARDIM

Todos temos um jardim
Que por toda a vida é cultivado
Flores vem e quando alguma se vai
O canteiro fica mutilado.

Eu também tenho o meu
E cada canteiro é para uma flor
Um canteiro é um pedaço
De um lugar chamado coração.

Eu mesmo sou o beija-flor
Meus sentimentos, as pequenas abelhas
A irrigação e feita de dedicação, zelo e amor.

Tem um cantinho tão bonito
Protegido das ervas-daninhas
Onde guardo uma rosa linda
Nunca a vi ou senti seu perfume
Mesmo assim está guardada comigo.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
19 de setembro de 2012.

Este poema é dedicado a minha prima Nara que completou 6 anos  no dia 14 deste mês.

TRANSFORMAÇÕES

Nada nessa vida passa, apenas se transforma
Nenhuma coisa permanece amorfa
Aquilo que de um jeito estava
Nem mais parece o que era em outra hora.

Evoluir, modificar e crescer
Ou mesmo voltar no tempo
Sem saber direito o porquê.

Tantas coisas mudam por si só
E algumas são transfiguradas por outras
Antes o que era o pó
Viram obras miraculosas
O que era o nada
Hoje tem formas virtuosas.

Pessoas mudam pessoas
Tem gente descobrindo gente
Guias ou mestres e suas ações boas
Curando e cuidando corações carentes
O mesmo que num dia ensina
É aquele que no outro aprende.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
19 de setembro de 2012.

Este poema é dedicado a todas as pessoas que mudam a vida de alguém, líderes, pais, amigos, mártires e principalmente os professores.

Uma agradecimento em especial a Lorena Carvalho.

AO SEU LADO

Por toda a vida, tarefas a cumprir
Só uma história escrita, uma estrada a seguir
Metas para alcançar, um destino a construir
Um contrato consigo mesmos e uma clausula apenas,
Lutar sempre para conseguir.

Pedras no caminho e estradas longas,
Ladeiras íngremes e esburacadas,
Ainda bem que não estamos sós
Mesmo assim a meta parece distante de alcançar.

Uma batalha constante
Cheia de quedas e tropeços
Eis que surge um ajudante
Estendendo as mãos e erguendo os caídos
Dando colo e ombro aos que estão feridos.

A partir de agora, caminhar lado a lado
Segurados pelas mãos
Unidos, não pelo sangue
Ombro a ombro como irmãos
Permanecer por todo o sempre
Amigos, família, irmãos.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
17 de setembro de 2012.

Este é um poema dedicado a Grazielle Aragão, quem me inspirou estes versos.

O SOM DA SAUDADE

O vento agora parece ter um som de saudade
E trás consigo um cheiro doce e triste de tua lembrança
O mesmo vento que antes te abraçava nos dias quentes
Pra brincar com os teus cabelos
Confesso que me dava ciúmes.

Meus olhos pedem para ser fechados
A fim de que não possam mais ver mais nada
Ou tudo que me lembre de ti
Mesmo assim é impossível, pois,
Em mim tu estás.

Meu peito te prende
Com a imagem do teu sorriso eternizado
Tão belo que até machuca
Sempre e sempre, por eu me lembrar.

O tempo apaga quase tudo
Menos o teu rosto
Que me persegue acordado e em sonhos
Que me trazem o riso e depois o pranto.

No fim de tudo aquele vento de outrora
Ao e ver só vem em meu auxílio
Tenta me segurar em seus braços
Para me dar abrigo e paz.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
17 de setembro de 2012.

UM VELHINHO COM UM JORNAL

Em um dia qualquer desses um homem estava parado em um ponto de ônibus com um semblante triste. Todos que passavam pelo lugar agiam indiferentes, não se importavam com o que ou quem estivesse em volta. De repente um velhinho de aparência simpática vinha caminhando com passos curtos que pareciam cansados de toda uma vida e trazia consigo um jornal dobrado. Eis que o velhinho se aproxima do homem e começam a dialogar.
- Posso sentar meu jovem?
- Pode sim, senhor.
- Me desculpe meu rapaz, mais parece um pouco triste.
- Não foi nada, foi apenas mais um dia complicado.
- Tem certeza que é só isso?
- Sério, não foi nada de mais, obrigado por perguntar.
- Eu ainda acho que foi alguma coisa a mais, se quiser conversar…
- Não precisa, mesmo.
- Está bem então meu jovem.
E nesse momento surge certo silêncio que depois de alguns minutos fora quebrado pelo homem que retoma a conversa anterior.
- É… Não sei bem como dizer. Talvez não vá querer ouvir.
- Eu já ouvi muitas histórias em minha vida.
- O senhor já trabalhou muito em sua vida, não é mesmo?
- Sim e ainda hoje trabalho muito, por que perguntou?
- Hoje, depois de quase dez anos trabalhando em uma empresa de transportes eu fui demitido. Não sei bem o que fazer.
- E por que não sabe? – Perguntou o idoso.
- Bem, como hoje em dia está mais difícil de arranjar um emprego… E tenho mulher e filhos, e ainda, tenho alguns débitos que me preocupam.
- Não sei se pode te ajudar, mais toma o meu jornal e vê se há alguma coisa que possa lhe ajudar.
- Obrigado senhor. Olha só, há uma empresa parecida com uma vaga, eu vou tentar.
O homem olha para o lado para devolver o jornal e o velhinho havia saído repentinamente, como num piscar olhos ou mágica. No dia seguinte O homem foi à entrevista e viu que a vaga estava muito concorrida e no meio de muitos ele conseguiu o emprego. Ao sair do local voltando para casa, por acaso o velhinho vem com seus passos curtos e cansados.
- Olá meu jovem, posso ver que hoje você está se sentindo melhor que ontem.
- Estou sim. Lembra do jornal que me emprestou, estou devolvendo agora já que ontem o senhor saiu sem que eu visse. Ah! E obrigado, no jornal havia um anúncio, lembra? Acabo de sair de uma entrevista e consegui o emprego.
Enquanto o homem arrumava algumas coisas em uma bolsa que carregava consigo, ele dizia acreditar que Deus sempre manda anjos todos os dias para nos ajudar, e quando olhou, outra vez o velho homem havia desaparecido da mesma forma que antes.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
17 de setembro de 2012.

VOCÊ

O brilho dos teus olhos serenos
A simplicidade do teu sorriso
A melodia doce da tua voz
É o que eu sempre quis ter.

Varias vezes me perco em meus pensamentos
Para em teus olhos me encontrar
Impossível não adimirar teu rosto
Sem querer nele tocar.

Tudo o que eu queria é te abraçar agora
Sem perder o tempo, a hora…
O momento de me apaixonar outra vez
Ou em todas as vezes que eu te ver.

Sonhar é mais fácil que viver
A realidade até machuca
Prefiro ouvir uma música
E viajar na tua lembrança.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
29 e agosto de 2012.

PARTIDA

É tão triste ir embora do lugar onde se vive, durante toda a vida é ruim a partida. Não querendo dizer adeus, alivia-se então dizendo um até logo, ainda assim não apazígua a mente, continua com o coração batendo forte, mais eufórico que um touro bravo.
Queremos continuar nossas vidas e seguir nossos destinos onde nós começamos, mais isso muda. Aonde vai o nosso futuro? Será que se manterá obscuro? Estas são perguntas difíceis de responder. Fica então uma indecisão, dói no coração saber que estamos indo, nos separando dos amigos. Dá vontade de chorar ter que dizer – estou indo, vou embora, tchau e até quem sabe um dia.
Ah! O adeus é mesmo ruim e triste, o coração não resiste e fica aos prantos, desconsolado, no mesmo choro que molha a face, é como uma ferida difícil de cicatrizar.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
15 de setembro de 2012.

CATIVO

A lei da selva de pedra
É deveras cruel e desumana
Que o ato de importar
Não é mais importante nessa vida mundana
Na qual muitos se sufocam e calam
Em baixo dos pés de quem manda.

Tem que haver força e luta
Vontade de protestar
Seguir caminhos pedregosos
Uma jornada longa a marchar
Em busca de sonhos e metas,
Futuro e liberdade alcançar.

A prisão que cativa o homem
Nele mesmo está sediada
A vontade que tem então
É hoje uma pequena e fraca chama
Que precisa apenas de lenha
Pra queimar e ficar alvoroçada
Se acender, ascender além de qualquer limite
Desejar, em fim, ser livre.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
14 de setembro de 2012.

PÁGINAS DE LIBERDADE

Caminhar entre montes de pensamentos
Ou vales de ideias e inspirações
Com os pés descalços numa estrada de lembranças
Ao encontro de um lago de futuro e esperança.

Ler um livro que aclama e completa a alma
Com sentimentos que nem se imaginavam
Sonhar acordado e dormir de olhos abertos
Para não perder as cores e a luz
É como alçar um voo sem asas.

Da semente, uma vida
Da árvore, a flor e o fruto
Uma ladeira, a subida
E olhar lá fora para ver o mundo.

Imaginar a criação
Ouvir uma canção que se quer fora tocada
Uma sensação, liberdade
Em uma ou todas as páginas desbravadas.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
12 de setembro de 2012.

UM SER EM FUGA

Tanta coisa o homem guarda dentro de si
Não se expressa, não desabafa e não divide
Quanto peso mais ele pode carregar?
Por quanto tempo continuará a chorar sozinho?

O mundo ensina de uma forma dura
Como cair e levantar,
Estender uma mão ou se apoiar,
A maneira de abrir os olhos e fechar.

Uma terra onde há tantos
Ainda assim muitos estão em carreira solo
Seja por medo ou egoismo,
Pelo abandono ou mesmo uma escolha.

O homem não nasce só
Então, por favor, alguém pode explicar
O por que de se afastarem ao invés de se abraçarem?
Para que se esconder quando alguém quer ver um outro sorriso
Sem que seja em frente ao espelho?

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
04 de setembro de 2012.

PALAVRAS

As palavras quando não ditas
Ficam desperdiçadas
E quando proferidas
Tornam-se então eternizadas
Guardadas pra sempre
Exalando um doce aroma
Para quem quiser apreciá-las.

Seguras no âmago de quem as ouve
Nem o vento pode levar
Ainda assim uma leve brisa
Em seu colo ode carregá-las
Até um destino acolhedor
Um coração atento
Apaixonando as almas por onde passar
Sem um caminho de volta.
Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
12 de setembro de 2012.

SEM LIMITES

Qual sera o limite do homem afinal?
O céu fora ultrapassado
Enigmas da vida, desfeitos
E há homens brincando de serem Deus.

Parece que o impossível não consta mais no dicionário
Tão pouco no vocabulário
De criaturas que estão a fazer outras
Usando principalmente suas forças
Em função de egoísmos
Quando tantos precisam ser vistos.

Mais por que cobrir a cabeça e descobrir os pés?
Será para não enxergar o mundo em volta?
Será mesmo que a realidade assusta tanto assim?
Estender os braços para segurar o fraco
Parece até doer mais que cruzá-los para abraçar a si próprio
Sentir o calor sozinho
Ficou mais importante que partilhá-lo num sorriso
As “caras amarradas” é o que se vê por aí.

Crescer não é mais aumentar o tamanho
As almas precisam de um banho
De vergonha e sensibilidade
Tudo está de uma maneira que até fede.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
05 de setembro de 2012.

RAZÃO E LOUCURA

De tanto o querer eu sonho
Tamanho é o frio que vem o vazio
E a lembrança me traz no vento
O teu cheiro e a tua voz a todo momento
Causando em mim uma euforia
Calada, presa em mim
Atormentando-me de um jeito bom
Com teu belo sorriso.

A loucura me toma de uma forma
Que mal consigo entender ou explicar
A lua me prega peças, pois,
Quando a observo teu rosto está estampado nela
Sinto até vontade de voar
Apenas para alcançá-la
Para saber se realmente tu te encontras lá.

O quer que tenha tomado posse de mim
Parece até afetar a minha razão
Vivo em constante conflito
Entre o que eu penso e sinto
A ponto de nem mais sentir o chão sob meus pés
Nem, ao menos, o céu sobre mim.
Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
13 de setembro de 2012.

VIVER

Fazer valer a pena, simplesmente viver
Deixar que o coração pulse.
Amar, sonhar, se inspirar, respirar…
Libertar a mente.

Pensar alto, sentir o coração tomado
Pelo ânimo, pela força oculta em nós
Pedir, sentir, doar, ter alguém e ser alguém
Não se abalar.

Nascer, crescer e manter o coração pequeno
Sentir os cheiros, provar sabores
Ter dores e ficar triste
E ainda assim terminar num sorriso.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil,
03 de setembro de 2012.