quinta-feira, 26 de outubro de 2017

PRINCESA RELUZENTE

Não obstante
Mais, assim, perante
Às face infalível
De um riso pujante
Nada oculto, sim, à mostra
Numa vitrine sublime.

A esguiez, puro charme
Esplendor de gente
Jeito que fala sem abrir a boca
Puramente eloquente
Vê-se de uma clareza
Simplesmente uma princesa.

A singeleza, o auge de seu charme
Pessoa criada no começo do universo
Assim quando o maior arquiteto
Disse que seja feita a “Luz”.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
26 de outubro de 2017.

Mais um presente, dessa Vez a Thaysa Luz. Minha amiga, uma princesa.

OI NENÉM

Toca a alma e o coração
Como o som de uma canção estridente
Ou o barulho do vento sobre a copa das árvores
Um sorriso cheio assim tão natural
Quanto a gargalhada indulgente
De dar “carreira” de quem estiver triste.

O suave tom gritante
Duma voz, que, mais que pareça
Nunca fora irritante
Apenas derrama um contágio nada virulento
De outras gargalhadas
Assim como um efeito dominó.

Neném, um neném, nenenzinho
Sim, assim, nosso benzinho
“Bicho” besta, impossível não amar
Querer o bem
Desse ser bobinho.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
26 de outubro de 2017.


Um mimo especial, dedicado a Sabrina Barbosa, vulgo, Brina.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

ANJO BEBÊ

Olhando assim, ao longe, distante
Milhares de quilômetros além
Do alcance daqueles olhos pretinhos
De pertinho então...
Vê-se a prova da sublime criação
Vida que veio da própria vida
Do pai, o que no céu habita.

É fácil notar o candor
Um anjo, em viva carne
Alguém com mais do que sangue
Mais, pureza percorrendo cada veia.

Eis alguém que não se explica
Que por si própria mostra
O ser que não cabe em palavras simples
E faz qualquer um saber
Nem o maior dicionário explica
Quem de fato é.

Sorriso, riso, as gargalhadas
A voz bem doce e, inclusive, engraçada
Cativa e permeia os que ouvem
Do discurso aos trejeitos,
O charme infindável da rosa branca
Emoldurada por cabelos negros.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
24 de outubro de 2017.


Às minha querida amiga, Abigail Lima, a quem tenho um apreço incondicional.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

AQUEM DE UM SORRISO

D'ante a face simples e bela
Aquela que guarda um sorriso
Tão misterioso e esplendoroso
Que se assemelha ao clarão da alvorada
Surgindo limpando os céus,
Vencendo até mesmo as nuvens.

Não porque as flores enchem os campos
Que apenas lá se veem pétalas charmosas
Algumas delas passeiam, andam entres nós
Visto grande, é o encanto
Implantado naqueles que lhe observam.

Então, assim, bom estar aquem
No intento de estar próximo
Apenas pra ver sorrir.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
17 de outubro de 2017.

Às minha amiga, Gilvânia Dias, aniversariante deste mês, e, que vejo todas as manhãs.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

UMA VITRINE NO MEIO DO CAMINHO

A maior parte das emoções e sensações do cotidiano são efêmeras, são tão rápidas quanto os transeuntes a passos largos, sobre calçadas, ruas e vielas. O frenesi incutido na mistura das vozes que preenchem o vazio quase imperceptível do meio que cerca cada indivíduo. São muitos os olhares, mirando todos os ângulos, vindos de todas a direções, meros expectadores desatentos.
O fulgor é tamanho que nada parece torná-lo ameno, não pode se “ver” o mínimo do natural, se quer é ouvido o que se pode descrever em uma onomatopéia. O humanismo se tornou tão dominante, que pegadas podem marcar o concreto seco com marcas profundas.
Em meio a todo esse movimento frenético, que se irradia, vem em ondas, por uma fração de segundo, alguém para, e, por alguma razão não explicada, algo incomum lhe toma de assalto, faz com que se atente, ao que parece de longe, um vestido branco. De tudo o que estava por traz da vitrine, porque apenas uma peça seria a distração que lhe tirara da desatenção, do desinteresse habitual?
A repentina mudança de alvo, parecia até mesmo desnecessária, afinal era só mais um exposto à venda em uma loja qualquer. Dada sua curiosidade deveras aumentada, num impulso achou-se passo a passo mais próximo sem ter o controle sobra as próprias pernas, que assim como o coração, seus movimentos eram involuntários.
Chegado ao destino não programado, havia uma silhueta esguia quase que totalmente encoberta, pelo mesmo manequim que expunha a peça que lhe chamara a atenção, instantes antes desse. Sua curiosidade mudou de lugar, pois, aquela silhueta tinha um sorriso lindo. Se sua mente pudesse ser vista, certamente se viriam luzes intensas, suas sinapses deviam ser muitas, com certa estranheza, flashes de uma vida futura passavam diante dos olhos.
Finalmente o êxtase estava sob controle, as emoções estavam como de costume, repentina e inesperadamente, um susto. Aquela peça outrora longínqua, que lhe trouxera até aquele exato ponto, era um, simples e muito bonito, vestido de noiva.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
05 de outubro de2017.


ELE ACHOU UM SORRISO

      As cidades são lugares com uma grande diversidade de pessoas e locais, estranhos a alguns, peculiares, e, também, familiares a outrem. Mesmo uma cidadezinha de um interior qualquer, pode guardar ou trazer surpresas, ocultar segredos. O começo é tão comum e igual a qualquer outro inicio, mudando apenas o desenrolar da história, até que no fim, prova serem os meios justificáveis, mesmo que incomuns, para fazer o dia valer.
      Ao que parecia, seria simplesmente um dia comum, nada de anormal, sem estranhezas ele vira, até que na penumbra da noite já anunciada, ouvem-se uns estalos, deixando-o curioso. Seguiu aquele som de folhas secas quebrando, se orientando como se estivesse à sua direita, mais que, de longe, não pudera ver o motivo de sua procura, o que lhe chamava a atenção. A pracinha do centro da cidade, nessa hora parecia maior que o real tamanho, pois, ele nunca alcançava a fonte daquele ruído intrigante.
      Eis que passados alguns minutos, não muito certo, mais foram uns cinco, que mais soavam como meia hora, até ser encontrada uma pequenina, uma menina franzina e sorridente, até mesmo seus olhinhos castanhos pareciam soltar gargalhadas. Ela brincava sozinha, corria tão rápido quanto o vento, talvez seja essa a razão de não achá-la com facilidade. Também cantarolava, balbuciava uma melodia desconhecida, mais que o fazia ter um sentimento nostálgico. Sua voz era doce.
      A pequena que estava diante dele, trajava um vestidinho branco, tinha um laço bem bonito prendendo seus cabelos, de fios bem finos e compridos. Mesmo “miúda”, tinha boa aparência e não tinha um ar de quem vivesse naquele lugar, sequer tinha jeito de pertencer ao lugarejo. Talvez ela tivesse apenas seis anos.
      Ele se aproximou com calma e sutileza, a fim de que não assustasse a garotinha e chamou-lhe a atenção, começando um diálogo simples e amistoso, dizendo que gostava de brincar ali também. Depois de pouco tempo de conversa, ele voltou no tempo, era uma criança crescida, até o instante que retornou ao seu eu de costume, quando veio à sua mente uma preocupação. O que a menininha fazia alí sozinha e àquela hora? A resposta a tal indagação foi no mínimo surpreendente, visto ter-lhe dito não ter ou precisar de ninguém mais, apenas dele.
      O estado de alegria que lhe tomara instantes à frente, reconfigurou-se em preocupação. Como uma criança pode precisar apenas de um estranho? Quantas pessoas poderiam estar à sua procura? Qual a origem de sua nova amiguinha? Diante de um dilema tão grande, olhava aquele rostinho despreocupado e brincalhão.
      Em um determinado momento, ela abriu o maior dos sorrisos, dava até pra ver que lhe faltavam os dois dentinhos incisivos. Era mesmo uma “janelinha” encantadora. Quando terminou de sorrir, disse-lhe que sabia de uma coisa sobre ele e estava lá por sua causa. Com uma serenidade e ternura infindável, contou um segredinho ao ouvido do seu novo amigo, sabia que ele estava guardando uma dor.
      O homem sorria em todo lugar, pra todo mundo, no entanto, trazia consigo, um coração apertado, de uma forma que sufocava qualquer choro. Sentaram lado a lado e uma única lágrima corria seu rosto. Foi então que um abraço apertado e carinhoso, encerrou o ato, fazendo a dor se acalmar pela primeira vez, depois de um bom tempo. A pequenina disse bem baixinho, saber pelo que seu amigo passava, conhecia o motivo da dor que guardara do mundo.
      Ao passo que o homem tranquilizou-se, lembrou não ter se apresentado nem perguntado o nome da garotinha. Sorridente, como sempre, falou que depois contava como se chamava, mais que naquela hora, precisava ir.
      Ele se distraiu por uma fração de segundos, se recobrou de sua atenção quando ouviu um bater de asas e sentiu o sopro de uma brisa. Seguido esse instante, sua amiguinha não estava mais alí. Ao piscar dos olhos, como numa mágica, estava tudo como antes, a noite caíra completamente sobre o céu, no relógio, apenas alguns poucos minutos tinham se passado. A sensação de que o tempo quase parou foi instantânea. Não havia nada mais além de levantar-se da relva e caminhar de volta pra casa.
      O dia se encerrou da mesma forma de sempre, apenas não fora mais um dia comum. Um presente lhe havia sido dado de uma forma inesperada, porém, sabia que seria guardado pra sempre, num embrulho que, a partir de então, estaria bem enfeitado, por aquele sorriso “banguelinho” de outrora. Dessa vez, consigo, ele trazia a paz.


Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
05 de outubro de 2017.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A FLOR É ELA

Então é ela que move seu próprio mundo?
Aquela mesma menina tão doce quanto uma brisa
Mais que pode ser tempestade
Basta ela precisar mostrar sua força
Transpondo muros e obstáculos quaisquer
E, ainda assim
Sem perder sua graça.

Não que a flor, eleita “a flor”
Seja a mais bela
Visto comparada ao ser, um anjo
Que de tanto o encanto
Tornou a Terra mais viva
Com a destreza de um sorriso de mulher.

“As aves que aqui gorgeiam”
Tão só, e, apenas tentam imitar
A voz de alguém que não exige ser intérprete
Do candor, o soar afagante
Aos ouvidos espectadores de sua fala.

Muitos vem ao mundo estrear a peça da vida
Enquanto quê, alguém assim
É a própria obra do onipotente criador
A contracenar com os meros coadjuvantes
Donde expõe o primor de ser uma estrela.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
03 de outubro de 2017.


Um pequeno mimo à minha grande amiga, Izabela Assunção.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

OBSERVADOR OCULTO

Não porque fosse assim fácil de explicar
Da mesma forma como falar
De uma história que foi real
Simplesmente não foi.
Você passou frente à minha janela
Pude ouvir sua linda voz
Mesmo por trás do vidro
Que como um muro colossal, distancia.
Não resisti e procurei formas mais
De aqui tão longe te ouvir uma outra vez
E outra... E outra... E outra...
Cansar-ue-ia se assim fizesse!?
Não tive exaustão em tanto ter-lhe
Repetindo seu canto sem que soubesse.
Acho que te espionei como se procurasse um crime
Ainda assim, fui eu quem cometeu algum
Te mantive cativa, acorrentada
Em devaneios que duravam dias inteiros
E a pena que recebo por tal delito
É permanecer te vendo e ouvido
Aqui de trás da mesma janela.

Marcone da Silva Pereira, Conceição do Jacuípe, Bahia, Brasil
1 de fevereiro de 2017.